Brasil conquista o hexacampeonato mundial por seleções, Marcus Vinicius Constantino vence o individual e Palmeiras levanta a taça entre os clubes; Hungria e Espanha também protagonizam campanhas históricas
BUDAPESTE, HUNGRIA — Quatro dias de disputas, diferentes escolas do futebol de mesa e três grandes protagonistas. O X Campeonato Mundial de Futebol de Mesa da International Table Football Confederation (ITFC), realizado de 8 a 11 de outubro, na Ludovika Arena, em Budapeste, terminou com títulos distribuídos entre Hungria, Brasil e Espanha.
Os anfitriões fizeram valer a tradição no Sectorball, modalidade em que conquistaram os títulos por equipes e individual. O Brasil confirmou sua força nos 12 Toques, com vitórias nas disputas por seleções, clubes e individual. Já a Espanha estabeleceu sua superioridade nas Chapas, conquistando os títulos por seleções, clubes e individual.
O Mundial reuniu representantes de diferentes países e colocou frente a frente modalidades com características próprias, em uma programação que combinou tradição, técnica e decisões de alto nível. Os resultados também reforçaram o alcance internacional do futebol de mesa, praticado sob diferentes regras e culturas esportivas.
Brasil conquista o hexa e amplia protagonismo nos 12 Toques
A seleção brasileira confirmou mais uma vez sua força internacional na modalidade 12 Toques. Na disputa por equipes, o Brasil venceu a Itália por 4 a 0 na final e conquistou o hexacampeonato mundial consecutivo.
A campanha invicta manteve a sequência de títulos iniciada em 2009 e consolidada nas edições seguintes, em 2012, 2015, 2018, 2022 e agora em 2026. A Itália ficou com a medalha de prata, enquanto a Hungria garantiu o bronze ao derrotar os Estados Unidos por 2 a 0.
Se por seleções o Brasil confirmou sua hegemonia, entre os clubes a festa também foi verde e amarela. O Palmeiras venceu o Vasco da Gama por 4 a 2 na decisão e conquistou o bicampeonato mundial interclubes, repetindo o feito de 2016. A equipe alviverde encerrou a competição com uma campanha de 100% de aproveitamento, enquanto o Vasco ficou com o vice-campeonato. O DSC-ALE, da Hungria, completou o pódio.
O desempenho brasileiro teve seu ponto alto também na disputa individual. Marcus Vinicius Constantino, do Fluminense, conquistou seu primeiro título mundial ao vencer Nando Jesus, do Vasco da Gama, por 4 a 3, em uma final emocionante entre dois representantes do futebol de mesa do Rio de Janeiro.
Marcus Vinicius encerrou o campeonato com uma campanha perfeita: dez vitórias em dez partidas, além de 59 gols marcados. O domínio brasileiro foi ainda mais evidente na classificação final, que teve Jefferson Genta, do Palmeiras, na terceira colocação, garantindo um pódio inteiramente verde e amarelo.
Hungria faz valer o fator casa no Sectorball
Na modalidade Sectorball, a torcida local teve motivos de sobra para comemorar. A seleção húngara confirmou sua força e conquistou o título mundial por equipes ao vencer a Sérvia por 3 a 1 na decisão. A Romênia terminou na terceira colocação.
O desempenho dos anfitriões se repetiu no torneio individual, com uma final inteiramente húngara. Károly Szathmáry enfrentou Zoltán Bottyán em uma decisão que terminou empatada em 1 a 1 no tempo regulamentar. A definição foi para a disputa de desempate, na qual Szathmáry venceu por 3 a 2, após uma sequência de 11 cobranças.
O título marcou a primeira conquista mundial individual do atleta na modalidade. Bottyán ficou com a prata, enquanto János Koczor assegurou o bronze, completando um pódio 100% húngaro.
Na competição de clubes, o VASI Gombfoci Egyesület também fez história. A equipe de Szombathely conquistou seu primeiro título mundial de clubes no Sectorball ao superar o Energofish, da Romênia. O brasileiro Vasco da Gama terminou na terceira colocação.
Os resultados consolidaram a Hungria como uma das grandes forças do campeonato, aproveitando o conhecimento da modalidade e o apoio de jogar em casa.
Espanha transforma as Chapas em território próprio
Se a Hungria dominou o Sectorball e o Brasil brilhou nos 12 Toques, a Espanha foi a grande protagonista das Chapas. A delegação espanhola conquistou os títulos por seleções, clubes e individual, fechando uma participação de destaque na competição.
Na disputa por equipes, a Espanha enfrentou Portugal em uma final equilibrada, definida nos momentos finais. A vitória por 3 a 2 garantiu o título mundial aos espanhóis, com os portugueses na segunda colocação e a Hungria em terceiro.
No individual, a decisão também foi espanhola. José Rodríguez superou Ángelito Ruiz por 3 a 2 e conquistou o campeonato mundial. O português André Gomes ficou com a medalha de bronze.
Entre os clubes, o Fútbol Chapas Madrid confirmou a superioridade espanhola ao vencer o Olivais Coimbra, de Portugal, por 3 a 0 na final. O Palmeiras, do Brasil, terminou na terceira colocação.
A campanha espanhola demonstrou a força de uma escola consolidada na modalidade, com resultados expressivos tanto nas disputas individuais quanto nas competições coletivas.
Três potências, um esporte sem fronteiras
O Mundial de Budapeste terminou com uma divisão de protagonismo entre três países. A Hungria fez valer sua tradição no Sectorball, o Brasil confirmou sua posição de destaque nos 12 Toques e a Espanha construiu uma campanha dominante nas Chapas.
Para o futebol de mesa, o evento representou mais do que a entrega de medalhas e troféus. A competição reuniu atletas, clubes e seleções de diferentes origens, mostrando como uma mesma paixão pode assumir formatos distintos sem perder sua essência competitiva.
A próxima edição do Campeonato Mundial está prevista para 2029, em Barcelona, na Espanha, conforme o calendário divulgado pela ITFC. Até lá, os resultados de Budapeste ficam registrados como mais um capítulo importante na história internacional do esporte.
Na mesa, cada regra tem sua identidade, cada país apresenta suas virtudes e cada partida pode decidir um título. Em Budapeste, Brasil, Hungria e Espanha mostraram que o futebol de mesa tem espaço entre as grandes disputas esportivas internacionais.
















